
Desdobramento do Protocolo de Agentes: MCP, A2A e Plugins de Agentes
Agent Protocol Stack Three-Layer Differentiation: MCP Management Tools, A2A Management Collaboration, Agent Plugins Management Distribution
Em agosto de 2026, a guerra dos protocolos terminou.
Isso não significa que a competição desapareceu — mas sim que o campo de batalha mudou. Há seis meses, os desenvolvedores ainda estavam debatendo acaloradamente "MCP vs outros protocolos, qual é melhor", e agora a resposta se tornou tão clara que é um pouco surpreendente: não há um melhor, apenas aquele que é mais adequado para cada camada.
Como a arquitetura de três camadas se formou
Primeiro, o contexto. A evolução dos protocolos de AI Agent passou por um típico processo de "união e divisão":
- 2024: cada um por si, cada plataforma tinha seu próprio formato de chamada de ferramentas
- 2025: o MCP surgiu como o padrão de fato para chamadas de ferramentas
- primeiro semestre de 2026: a demanda por colaboração explodiu, e o protocolo A2A surgiu
- agosto de 2026: o problema da distribuição de pacotes veio à tona, e o Agent Plugins 1.0 foi lançado
A arquitetura de três camadas não foi projetada, mas sim forçada pela demanda.
Primeira camada: MCP — Gerenciar "ferramentas", fazer execução
MCP (Model Context Protocol) tem uma posição clara desde o início: é a camada de interface entre o Agent e o mundo externo. Ele define como o Agent chama ferramentas, lê recursos e recebe dicas — essencialmente, um protocolo padronizado de "descoberta e chamada de ferramentas".
Em 28 de julho de 2026, o MCP lançou a maior reestruturação de sua história: removeu completamente o estado da sessão, mudando para uma arquitetura HTTP sem estado. Essa decisão parece técnica, mas é, na verdade, estratégica:
- Sem estado significa mais fácil escalabilidade horizontal
- Sem estado significa mais fácil cache e reutilização
- Sem estado significa que o protocolo pode ser realmente neutro em relação à implementação específica
Na mesma semana, o número de downloads mensais do MCP ultrapassou 110 milhões. O que esse número significa? Significa que ele não é mais apenas um produto da Anthropic, mas sim a infraestrutura de todo o ecossistema de ferramentas de IA.
Onde estão os limites do MCP
O MCP resolve a questão de "o que o Agent pode fazer", mas não resolve:
- Como dois Agents se comunicam sobre tarefas
- Como combinar as habilidades de vários Agents para alcançar objetivos complexos
- Como distribuir e instalar um pacote completo de habilidades de um Agent
As respostas para essas questões deram origem à segunda e terceira camadas.
Segunda camada: A2A — Gerenciar "colaboração", fazer orquestração
A2A (Agent-to-Agent Protocol) é o protocolo da camada de colaboração. Em agosto de 2026, ele comemorou seu primeiro aniversário, apresentando um belo relatório: mais de 150 organizações em produção, com Google Cloud, AWS e Azure integrados nativamente.
Esse é um sinal muito importante. A escolha simultânea das três grandes nuvens para integração nativa significa que o A2A se tornou a base de fato para a orquestração de Agents em nível empresarial.
A2A resolve a questão central: quando um Agent precisa da capacidade de outro Agent, como eles se descobrem, como trocam contexto e como coordenam a execução.
Um exemplo prático:
Você tem um "Agent de planejamento de viagens" que descobre que o usuário precisa reservar um hotel. Ele não precisa implementar a API do hotel, mas sim encontrar o "Agent de reserva de hotel" através do A2A, passando as preferências do usuário e aguardando o resultado para continuar o processo.
Nesse modelo, cada Agent só precisa se especializar em sua área, sem precisar se tornar um "Agent Deus" onipotente.
Onde estão os limites do A2A
A2A trata da questão de "como os Agents se comunicam", mas não aborda:
- Qual é o formato e conteúdo do pacote de habilidades
- Como distribuir, controlar versões e instalar as capacidades de um Agent
- A definição de limites de segurança e confiança
Essas questões precisam da terceira camada.
Terceira camada: Agent Plugins — Gerenciar "distribuição", fazer assetização
Em 6 de agosto de 2026, Agent Plugins 1.0 foi oficialmente lançado, com a colaboração da OpenAI, AWS, Microsoft, Vercel, Cursor e GitHub.
A inovação central deste protocolo é: empacotar Skills (definições de habilidades) + configurações do MCP em uma unidade de plugin portátil.
Agent Plugin = Skill Manifest + MCP Config + Declaração de Permissões + Informações de Versão
O que isso significa? Significa que você pode distribuir um pacote complexo de habilidades de Agent, assim como instalar um pacote npm, para outros desenvolvedores, outras plataformas e outros ambientes.
A ausência da Anthropic é intrigante
Um detalhe: a Anthropic não está na lista de lançamentos conjuntos do Agent Plugins.
Isso não representa uma falha da Anthropic, pelo contrário — é mais uma escolha ecológica consciente. O Claude Code já possui sua própria arquitetura de Agents e cadeia de ferramentas, e a liderança do MCP está nas mãos da Anthropic. Eles não precisam mais se juntar a um protocolo de distribuição de pacotes que possa enfraquecer sua influência.
Isso também torna o cenário competitivo do Agent Plugins mais claro: é um padrão neutro em relação à plataforma, e não uma extensão de produto de uma única empresa. A capacidade de realmente alcançar isso determinará até onde ele pode ir.
A competição se desloca para três novos campos de batalha
A competição na camada de protocolos basicamente terminou — não que não haja alternativas, mas as fronteiras das três camadas já estão suficientemente claras, e qualquer tentativa de criar uma solução unificada que atravesse múltiplas camadas perderá competitividade por falta de foco.
Os verdadeiros novos campos de batalha estão em três áreas:
Campo de batalha um: empacotamento e distribuição
Uma vez que os protocolos se tornaram padronizados, a próxima dimensão de competição é quem pode tornar a experiência de publicação, distribuição e instalação de plugins a mais suave possível. A inclusão do GitHub e Vercel não é acidental — eles têm um profundo histórico em infraestrutura de distribuição para desenvolvedores. A participação do Cursor indica que a integração com IDE será um ponto de entrada importante para a distribuição.
Campo de batalha dois: confiança e segurança
Quando um Agent pode chamar ferramentas externas, colaborar com outros Agents e instalar plugins de terceiros, as questões de segurança se amplificam exponencialmente.
- Quais permissões um Agent Plugin solicitou? Os limites estão claros?
- Como os dados fluem entre dois Agents durante a colaboração?
- Como evitar que plugins maliciosos causem danos durante a instalação ou execução?
Essas questões atualmente têm apenas respostas preliminares e ainda não há soluções maduras. Quem conseguir estabelecer um sistema de confiança confiável primeiro, ganhará o mercado empresarial.
Campo de batalha três: memória persistente
Os três protocolos resolvem questões de "imediato" — chamadas de ferramentas, colaboração em tarefas, distribuição de habilidades. Mas a memória de longo prazo do Agent, a acumulação de experiências e o aprendizado entre sessões ainda não têm um protocolo padrão.
Esse é um problema mais difícil, pois envolve:
- Formato de representação da memória
- Limites de privacidade da memória
- Mecanismos de esquecimento da memória
- Compartilhamento de memória entre Agents
Esse será o foco da próxima batalha de protocolos.
Conselhos práticos para desenvolvedores
Depois de discutir tantas questões abstratas, vamos falar de algo mais prático.
Não se preocupe mais em "qual protocolo escolher"
Essa questão já não faz sentido. As três camadas têm suas funções específicas, use o que seu Agent precisa:
- Precisa chamar ferramentas externas? → Use MCP
- Precisa colaborar com outros Agents? → Use A2A
- Precisa empacotar seu Agent para uso por outros? → Use Agent Plugins
Elas não são concorrentes, mas sim complementares.
Trate o pacote de habilidades como um ativo digital portátil
Essa é a mudança mais importante.
O modelo de desenvolvimento de Agents no passado era: fazer um Agent monolítico que pudesse fazer tudo, com todas as capacidades incluídas.
O modelo de desenvolvimento de Agents no futuro deve ser: fazer uma série de pacotes de habilidades especializadas que podem trabalhar de forma independente ou em combinação com outros pacotes.
Isso exige que você, ao projetar cada Agent, se pergunte: as capacidades deste Agent podem ser completamente empacotadas e instaladas em outro ambiente de Agent?
Se a resposta for "não", isso indica um problema de acoplamento no design, e uma reestruturação é necessária.
Preste atenção nos canais de distribuição do ecossistema de plugins
A publicação do Agent Plugins 1.0 é apenas o começo. O verdadeiro valor está no mercado de plugins ao seu redor — quem se tornará o "npm" das habilidades de Agents? Esse é o ponto de competição mais interessante para o segundo semestre de 2026.
Se você é um desenvolvedor de Agents, comece agora a estruturar seu pacote de habilidades no formato dos Agent Plugins. Mesmo que a cadeia de ferramentas ainda não esteja madura, alinhar o formato antecipadamente proporcionará uma vantagem competitiva quando o ecossistema amadurecer.
Conclusão
O fim da guerra dos protocolos é uma boa notícia.
Isso significa que a infraestrutura está se estabilizando, e os desenvolvedores podem concentrar mais energia nas questões realmente importantes: que tipo de Agent criar, que problemas resolver e que valor criar.
A arquitetura de três camadas nos fornece uma estrutura clara: a camada de ferramentas faz a execução, a camada de colaboração faz a orquestração, e a camada de distribuição faz a assetização. Cada camada tem seu próprio espaço para inovação, e cada camada merece ser aprofundada.
Mas o sinal mais essencial é apenas um: o Agent não é mais um produto de software independente, mas sim uma unidade de força de trabalho digital que pode ser combinada, distribuída e colaborar.
Compreender isso é mais importante do que lembrar de qualquer detalhe do protocolo.
Se você tiver mais pensamentos sobre este tópico, sinta-se à vontade para discutir na seção de comentários. Também estou acompanhando os detalhes da implementação da reestruturação sem estado do MCP e o desenvolvimento do ecossistema de Agent Plugins, e continuarei escrevendo artigos sobre isso.
O desdobramento dos protocolos de agentes de IA impacta diretamente empresas brasileiras ao padronizar a comunicação entre agentes e ferramentas. Isso facilita a integração e a colaboração entre sistemas, aumentando a eficiência operacional. A adoção desses protocolos pode ser um diferencial competitivo no mercado.
